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Facebook tornando-se plataforma de informação

Facebook está matando o Jornalismo?

Há alguns anos, o Facebook deixou de ser a rede social que espalhava amor e fotos meigas de animais de estimação para se tornar uma das plataformas de informações mais utilizadas pelo público. O consumo de informações na rede social cresceu exponencialmente. Se somado ao seu público mensal de 2 bilhões de indivíduos, torna-se a principal plataforma de notícias do mundo a frente dos grandes conglomerados de mídia. Mas isso quer dizer que o Facebook está matando o jornalismo?

Não é novidade que o Facebook tenha se tornado algo muito maior do que o esperado. Porém quando se diz respeito as notícias, o Facebook em posição de destaque entre os veículos de informação é no mínimo uma surpresa. E tamanha magnitude está despertando sentimentos diversos entre os jornalistas.

No início, tudo parecia promissor já que diversos veículos ingressaram na rede social para alcançar milhões de usuários com uma certa facilidade. Contudo, ao longo do tempo, o Facebook foi modificando o seu algoritmo e diminuiu o alcance orgânico das empresas, incluindo os portais de notícias, para privilegiar o engajamento dos usuários. Assim, pouco a pouco, o Facebook foi matando negócio dos jornais nas redes sociais já que os posts de notícias tinham um alcance muito pequeno.

Ao mesmo tempo, por tentar privilegiar o engajamento, o Facebook criou um pequeno monstro chamado fake news, que são notícias falsas criadas pelos usuários da plataforma para enganar pessoas. Por parecerem verdadeiras e possuírem títulos sensacionalistas, as fake news viralizavam nas redes, enquanto que as notícias verdadeiras dos jornais morriam por causa do alcance orgânico. Como efeito colateral, os grandes jornais de comunicação perderam credibilidade frente ao movimento das notícias falsas.

Modelos de negócios do jornalismo também é afetado

Além disso, o Facebook conseguiu afetar profundamente o modelo de negócio dos jornais. Segundo uma recente pesquisa feita pelo GrupoM, o Google e o Facebook juntos somam cerca de 85% do mercado global de anúncios. E esse número tende a crescer nos próximos anos. Essa notícia não é ruim apenas para os jornais que estão perdendo muitos anunciantes, mas também para todo o ecossistema de anúncios digitais já que centraliza todo o poder entre esses dois.

Mas nem tudo é culpa do Facebook. A maioria das empresas de comunicação já entendem que parte da culpa é por causa delas mesmas não terem se ajustado rápido o bastante ao novo modelo de consumo de informações.

Isso tudo acaba sendo uma espécie de efeito colateral do grande sucesso que o Facebook alcançou nos últimos anos. É difícil imaginar que o Mark Zuckerberg acordou um dia e decidiu que iria acabar com a indústria de mídia. É mais sensato pensar que foi algo que acabou acontecendo devido ao comportamento do público e as muitas possibilidades de uso do Facebook. Mas de uma coisa temos certeza, depois de já ser consagrado como uma das maiores fontes de notícias, o Facebook já tem certeza de seu poder de controle perante seus usuários e perante as outras mídias.

Essa pode ser considerada a maior força e também a maior fraqueza da rede social. Afinal, ela tem o poder de decidir quais marcas irão aparecer nas timelines das pessoas e quais não irão aparecer. Para uma única empresa, controlar esse fluxo é sem dúvida um poder muito grande. Contudo, os próprios usuários da ferramenta sabem disso e podem se sentir manipulados pela rede, o que poderia eventualmente afastar novos usuários. Essa é sem dúvida uma balança que a própria equipe do Zuckerberg precisa lidar diariamente. Parece que o Facebook está matando o jornalismo. Mas não é apenas por seu algorítimo. Suas potentes fake news tem um peso grande nessa parcela de “culpa”.

Facebook se pronuncia sobre falhas que possibilitam propagação de fake news

Depois de já terem dito que nada disso de fato acontecia, agora o Facebook já fala abertamente sobre como estão tentando corrigir algumas falhas como a disseminação de notícias falsas ou de mensagens de ódio que acabam sendo propagadas na rede social por conta desse poder todo de compartilhamento. E por termos esse feedback deles, podemos dizer que o problema não é eles não ligarem para os problemas, mas que talvez esse “problema” não os afete o suficiente para que seja de fato corrigido.

Em relação aos jornais, o Facebook está tentando lentamente se reaproximar dos veículos de comunicação criando diversas fórmulas para incentivar o compartilhamento das notícias com credibilidade, mas até o momento não obteve sucesso. Já sobre os anunciantes, essa é uma questão que a empresa sequer cogita em modificar já que é o seu principal ganha pão, mesmo que esse formato prejudique a médio/longo prazo a indústria da mídia.

Entre críticas e elogios, seguiremos conforme as mudanças que por eles forem apresentadas. Ao menos até que surja um próximo Facebook.

Esse texto foi retirado da página do Columbia Journalism Review.

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