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Fake News: o que são e como afetam o jornalismoo?

Afinal, o que são fake news e quais os impactos para sociedade?

Quem trabalha com mídia e comunicação constantemente se depara com a necessidade de engajar a audiência. Infelizmente, esse objetivo pode ser corrompido, e a busca pela atenção das pessoas pode ser colocada acima de outros pontos fundamentais. Nesse contexto, é preciso compreender  o que são fake news.

Levando isso em consideração, elaboramos este post a fim de explicar melhor o que elas são e como impactam a sociedade. Se você tem interesse e gostaria de saber mais sobre esse assunto, leia o texto até o final!

O que são fake news?

O termo significa “notícias falsas”, em tradução livre do inglês. Na prática, ele é utilizado para definir boatos, rumores ou notícias imprecisas publicadas geralmente na internet. Ou seja, são antigos conhecidos de quem trabalha com jornais e afins.

A fama desse conceito cresceu em 2017, quando — não por acaso — foi considerada a palavra do ano pelo dicionário Collins. Em 2016, o então candidato Donald Trump usou bastante a expressão em sua campanha durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos — isso certamente ajudou a popularizá-la.

No Brasil, elas são disseminadas principalmente nas redes sociais. Não é raro encontrá-las no feed do Facebook e em grupos no WhatsApp, usadas para espalhar vírus e, até mesmo, distribuir golpes aplicados por estelionatários.

Como identificar as fake news?

Busque no Google

Uma notícia verdadeira e importante publicada por um jornal rapidamente é divulgada por outros veículos. Portanto, se encontrar uma chamada sensacionalista demais, desconfie e use o Google para procurar outras fontes confiáveis que também comentem sobre ela.

Verifique a data da publicação

Essa medida é simples e ajuda bastante. Afinal, nem todos as manchetes são necessariamente falsas. Algumas notícias do passado podem funcionar como fake news por descontextualizar um fato que aconteceu há anos.

Consulte as fontes

jornalismo investigativo faz um trabalho bastante sério com o objetivo de levantar dados e apurar informações. Sendo assim, fique de olho nas estatísticas e números que muitas vezes acompanham as supostas atualidades.

Costumeiramente, em meios de comunicação mais sérios, esse tipo de informação vem atrelado a uma fonte confiável, como institutos de pesquisa e afins. Se possível, consulte também a reputação do veículo responsável pela divulgação. Algumas páginas, por exemplo, tradicionalmente criam fake news para fazer humor

Quais impactos elas causam na sociedade?

O mais relevante deles é, sem dúvida, a proliferação desenfreada de mentiras. Esses boatos, em geral, são produzidos com uma foto, na qual se encontra uma chamada ou um pequeno texto.

O propósito disso é fazer com que esse conteúdo seja facilmente compartilhado entre as pessoas, acelerando ainda mais o processo da desinformação. Em pouco tempo, eles atingem vários leitores. A divulgação de inúmeras informações não verdadeiras certamente prejudica a formação do pensamento crítico.

Enfim, as fake news estão na contramão do jornalismo sério, que pressupõe a apuração dos fatos e a dedicação à informação real e consistente. Não compartilhe sem ler e cheque sempre que puder a veracidade das notícias que você encontra por aí.

Como algumas empresas previnem as fake news?

Muitas empresas têm demonstrado uma maior preocupação com os conteúdos publicados e difundidos em suas redes, já que esses interferem no ambiente social, na política e, inclusive, na economia. Por isso, algumas já adotam medidas que evitam a proliferação das notícias falsas.

Facebook

O Facebook foi umas das primeiras empresas a se adaptar para lidar com esse novo problema na divulgação das notícias. A partir de inúmeras reclamações, a organização começou, nos Estados Unidos, suas ações para diminuir a quantidade de notícias falsas compartilhadas.

A partir dessa movimentação, foi em 2017 que o Facebook demonstrou sua preocupação com as fake news no Brasil. A empresa fechou uma parceria com a agência Lupa e, juntos, atuaram de maneira protetiva frente às notícias falsas publicadas.

As novas ideias se baseiam em avaliar as declarações feitas nas notícias, incluindo checagem de informações e criação de um robô que responda automaticamente às denúncias dos usuários do Facebook.

Essa mesma atuação foi intensa diante dos perfis falsos, principais instrumentos de divulgação das fake news. A exclusão ocorria baseada em padrões da empresa que, quando não respeitados, geram a exclusão da publicação ou do perfil, dependendo do nível de gravidade.

Google

O Google tem uma atuação um pouco diferente diante dos conteúdos publicados. Quando eles são falsos, não se costuma adotar o termo “fake news”, e o sistema de pesquisas opta por classificar como “conteúdos enganosos” ou “conteúdos manipulados.”

Com o apoio de várias empresas no país, o Google lançou um programa de checagem de informações chamado “Comprova”, um sistema que auxilia o jornalismo colaborativo contra a desinformação. Nesse site, acessível para qualquer usuário, fica fácil checar se a informação é verdadeira ou falsa.

Além disso, para verificar as origens das notícias e a identificação dos conteúdos falsos, foi criado um selo de checagem e um sistema de “avaliadores de qualidade”, ou seja, indicadores que fazem com que a ferramenta de busca não disponibilize conteúdos manipulados.

Porém, a presença desses filtros ainda é uma questão em discussão, principalmente, entre os órgãos de comunicação.

WhatsApp

O WhatsApp também teve que ser cuidadoso em relação aos conteúdos que eram compartilhados entre seus usuários. A sua primeira medida foi limitar a quantidade de encaminhamento.

Antes, as mensagens podiam ser encaminhadas para vinte pessoas no máximo. Hoje, isso não pode passar de cinco. A expectativa é que essa restrição diminua a difusão de certas notícias em massa.

Outra estratégia usada pelo aplicativo foi a parceria com agência de checagem de notícias, utilizando a inteligência artificial para varrer as fake news da rede de comunicação.

Por exemplo, Ben Supple, gerente de políticas públicas do WhatsApp, afirmou, em entrevista ao Estado, que “se um usuário mandar mil mensagens por minuto, é um sinal de que, na verdade, pode ser um robô”. Assim, eles identificariam um sistema de distribuição de fake news.

O WhatsApp já tem experiência em lidar com notícias falsas. Na Índia, o compartilhamento desse tipo de conteúdo irregular chegou a causar linchamento. Esse é um problema em que há uma urgência em buscar uma solução.

Como anda a discussão sobre essas inverdades?

Apesar da boa intenção presente nessas medidas adotadas pelas redes sociais e redes de pesquisa como o Google, essa questão ainda não é um consenso entre muitas pessoas.

Em uma avaliação feita pela FRENTECOM — Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação, frente composta por 194 parlamentares de vários partidos — essa é uma questão delicada. Afinal, esbarra no direito de expressão e na dificuldade de definir o que é verdade.

Além disso, outra questão em discussão é o quanto a atuação dessas plataformas, quando elas removem ou priorizam notícias, podem criar um ambiente de monopólio das informações na internet.

Essa será uma longa discussão em que muitos, apesar do receio de delimitar informações, sabem o quanto é importante investir em formas de filtrar as fake news espalhadas pela internet e que vão contra o trabalho sério que o jornalismo opera em seus meios de comunicação.

Com essas ações em favor das notícias com boas fontes, poderemos aumentar a confiança dos leitores nos jornais.

Agora que você já sabe o que são fake news e como preveni-la, se restou alguma dúvida ou quiser compartilhar sua opinião, manifeste-se e deixe um comentário!

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